Associação
Fraternidade

Notícias

12/12/2019
Só quem está aqui sabe (Haiti)
Frei Gabriel comenta como é viver no Haiti
A situação sanitária do Haiti já era grave antes do terremoto de 2010, mas foi agravada após o impacto. Tem os piores indicadores das Américas. Em 2010, estimava-se que 10% da população conviviam com o HIV, mas o vírus não é o único que atinge os haitianos, que sofrem com desnutrição, cólera, malária, tuberculose e altas taxas de mortalidade materna e infantil. Em 2011, a Associação e Fraternidade Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus, com sede em Jaci, chegou ao Haiti. De acordo com a entidade, por causa da reportagem do Diário, que mostrava que as crianças se alimentavam com bolachas de barro, água e manteiga, foram conseguidos mais de 300 doadores para colaborar com o trabalho no país.

Frei Gabriel Martins Alves, de 41 anos, nasceu em Zacarias, mas a vontade de seguir o que Jesus ensinou fez com que transformasse a capital Porto Príncipe em sua casa desde 2011, mesmo em meio a todas as dificuldades. Os violentos protestos dos últimos meses, que pedem a renúncia do presidente Jovenel Moïse depois que ele foi acusado de corrupção, obrigaram a entidade a fechar as portas por três meses. Mesmo em meio a essa situação, houve acontecimentos que deram esperança, como o nascimento e a sobrevivência dos gêmeos prematuros Dani e Danielo, em novembro deste ano, que ganharam roupas e fraldas de doações. Os trabalhos só foram retomados há duas semanas, quando as manifestações se abrandaram.

"Só quem está aqui sabe a dificuldade, o que é ver uma criança há três dias sem poder se alimentar bem, a criança que morre de desnutrição e fome, a mãe que chora desesperadamente pela perda do filho, a miséria que é escancarada. Mas eu acredito que com a nossa união a gente pode fazer um mundo melhor, acredito na solidariedade e a gente faz isso com muito amor e carinho, como disse Jesus para amar ao próximo", afirma o frei.

O foco inicial da missão era a saúde. Todos os meses, de 4 mil a 4,5 mil pessoas são atendidas por clínicos gerais, ginecologistas, pediatras e odontologistas. Os pacientes começam a chegar às 4h todos os dias e vão embora com os medicamentos necessários. Agentes de saúde fazem visitas nas casas para fazer orientações e fazer acompanhamento dos pacientes.

No centro destinado às crianças desnutridas, são de 4 mil a 5 mil atendimentos por mês. Lá os pequenos são vacinados, recebem vitaminas e alimentos para si e suas famílias. A missão conta ainda com uma padaria, que produz cerca de 7 mil pães semanalmente, além de bolos, que são distribuídos gratuitamente e vendidos por 30 mulheres haitianas que trabalham na fábrica e conseguem desta forma alguma autonomia financeira. Aos sábados, crianças e adolescentes têm aula de música, dança, teatro, catequese, além de recreação e futebol.

Desde que a missão teve início em 2011 a situação se agravou. "Tinha a presença do Exército brasileiro, que comandava a missão de paz na ONU, então o país era muito mais tranquilo. Depois que os capacetes azuis [como eram chamados os soldados brasileiros] saíram daqui, as coisas começaram a mudar", diz frei Gabriel. Ele fala que é uma corrida contra o tempo para salvar vidas, principalmente as das crianças desnutridas pela miséria. "Mas com a graça de Deus a gente vai ajudando. O povo haitiano é muito acolhedor e ama nosso futebol, conhece tudo do nosso futebol desde muitos anos. Eu acredito muito na solidariedade, em um mundo melhor, e Deus está sempre conosco." (MG)

Matéria: Milena Grigoleti - Diário da Região
Fotos - Clique sobre uma miniatura para ampliá-la

Veja também

Rádio Online

Facebook

Endereço

Rodovia Vicinal João Joaquim Telles Filho, Km 3
CEP 15155-000 - Zona Rural - Jaci - São Paulo - Brasil

Telefone/Fax

17 3283-9070
17 3283-9090

Redes Sociais

YouTube Facebook Twitter
© Todos os direitos reservados
por Diginova - Sites e Sistemas